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Sónia Capela Pisco

22-12-2017 - Uma viagem de comboio. Sibéria. Dois católicos.

No dia 11 de dezembro, Josif Volkof e Viktor Chistyokov, dois amigos nossos, guiaram-nos pela sua aventura do que é ser católico na Sibéria. E a imagem proposta para ilustrar o encontro foi perfeita. Tal como disse Viktor, o comboio que entrava na neve simbolizava-os, visto que eles vinham mesmo do meio da neve e o comboio era muito importante, porque ia direito e em direção ao destino. E nós fomos seguindo a sua aventura, com muita atenção, neste desejo de perceber a sua conversão e a sua devoção a Nossa Sra. de Fátima.

Josif, médico, viveu, durante muito tempo, num contexto em que a Igreja tinha sido destruída pela Revolução e não sabia, sequer, que havia católicos na Sibéria. Simultaneamente, um desejo nascia-lhe no coração, despertado pela avó que, quando precisava mesmo, ia à Igreja e rezava a Nossa Senhora. E, sempre que rezava, funcionava. Claramente, este facto suscitou-lhe espanto.

Havia um desejo. A sede do seu coração aumentava. Então, como se saciou esta sede? De forma misteriosa, segundo Josif. Em fevereiro de 1992, Josif foi a uma costureira para fazer um casaco – as lojas, nesse ano, estavam completamente vazias – e, depois de fazer as provas, a costureira assomou à janela e disse-lhe:
- Vamos juntos à Igreja, no domingo.
- Qual Igreja?- retorquiu Josif.
- Aqui ao pé, Católica.

Ficou estarrecido. Procurava alguém e, de repente, aquela senhora, costureira, surgiu-lhe no caminho. Assim, a 2 de fevereiro, foi pela 1ªvez à Igreja. Não percebeu o que se dizia, mas percebeu que aquele lugar era para ele e que queria voltar. Além disso, ver um grupo de jovens, juntos, embora lhe parecesse “estranho”, fascinava-o. Então, durante dois meses, seguiu aquele grupo, queria estar com eles. E, um dia, ao encontrá-los num concerto, ganhou coragem e perguntou se podia juntar-se a eles. Não sabia as palavras, não sabia os textos, mas aquela Companhia correspondia ao seu coração. Josif encontrou, assim, o Movimento.

Viktor, diretor de uma agência de informação, aquando do fim do curso, aos 21 anos, num período caracterizado por falta de dinheiro e trabalho - período da Perestroika - , sentiu, dentro dele, um vazio que se tornou uma pergunta, melhor, várias perguntas: Quem sou eu? Por que é que existo? Que sentido tem o meu eu?

A necessidade de respostas, a espera por um milagre, fê-lo ir à única igreja ortodoxa para ser baptizado. Baptizou-se e o milagre não aconteceu! Não lhe tocou o coração! Nada! Então, decidiu dedicar-se à filosofia oriental. Mais uma tentativa de encontrar as respostas ao seu coração e, mais uma vez, nada! E, um dia, no seu trabalho, partilhou as suas perguntas com Alessandro, um colega. A sua resposta foi: “Vem comigo e vês!” E os dois foram à Escola de Comunidade. Viktor encontrou, assim, o Movimento.

O mais interessante é que as perguntas de Viktor despertaram, também, o próprio coração de Alessandro que, havia dois anos, não ia a qualquer gesto, à Igreja. Alessandro regressava. Alessandro trazia um amigo. Josif não escondeu o seu espanto e a sua imensa alegria.

Josif, perante estes factos, experimentou, de forma clara, “o gosto da vida” e passou a “ver sentido em todos os aspetos da vida, a reconhecer que Deus se tornou Acontecimento na nossa vida” tal como refere numa carta a Don Giussani.

E por que se atravessa tantos quilómetros para vir ao encontro de N. Sra. de Fátima? Porque alguém, também, percorreu quilómetros para partilhar a mensagem de Fátima. Josif e Viktor tiveram conhecimento de Fátima através da apresentação do livro O segredo que conduz o Papa – A experiência de Fátima no pontificado de João Paulo II de Aura Miguel, em Novosibirsk.

Dois factos impressionaram, de imediato, Viktor, ou seja, a ligação da Rússia e do Papa João Paulo II ao mistério de Fátima. Este reconhecimento introduziu, assim, um regresso a esse facto, todos os dias, rezando, nomeadamente, o terço. Além disso, aquando das celebrações do centenário de Fátima e da revolução russa, decidiu escrever, como testemunho da sua fé – “Não posso estar calado!” -, um artigo sobre os “dois grandes outubros”, mostrando o carácter destrutivo da revolução russa em contraste com o carácter salvífico de Fátima. Fátima afirma-se como uma esperança para o mundo.

Nessa medida, vir a Fátima é agradecer, rezar pelos amigos, pela família e pelo próprio Putin. E estar grato por nós rezarmos por eles.
Após esta viagem, em direção ao destino, na companhia destes amigos, que fazem parte de 1% dos católicos na Rússia, emerge uma interrogação que nos define: “Quem daria gosto à nossa vida depois do encontro com Jesus?

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